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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Deputados


“Artigo 155º [da Constituição da República Portuguesa] - (Exercício da função de Deputado) 1. Os Deputados exercem livremente o seu mandato, sendo-lhes garantidas condições adequadas ao eficaz exercício das suas funções, designadamente ao indispensável contacto com os cidadãos eleitores e à sua informação regular.”

Lendo a Lei fundamental que regra a nossa democracia não encontramos uma única palavra que refira ou imponha a obediência canina que os grupos parlamentares exigem aos deputados que ocupam as cadeiras do Parlamento. Antes pelo contrário. Os deputados devem exercer livremente o seu mandato. 

As discussões, à esquerda e à direita, sobre o dever de obediência dos deputados para com os seus grupos parlamentares tem algo de anticonstitucional. Os deputados, segundo a Lei, estão obrigados a contactar e informar os cidadãos que os elegem, é a estes que devem prestar contas e não aos seus caciques parlamentares.

Se os deputados obedecem, sem tugir nem mugir, a ordens ditadas pelos seus líderes parlamentares não se justifica que sejam em tão grande número. Se estão ali apenas para cumprir a alínea c) do artigo 159º que especifica como um dos seus deveres “participar nas votações”, levantando-se ou mantendo os rabos nos assentos conforme a voz do dono, transformam-se num peso morto, uma despesa inútil ainda mais em tempos de crise económica como aquela que atravessamos. 

Uma Assembleia com 230 deputados em permanência, mais um magote de reformados em idade activa com ordenados principescos não é um luxo, é uma afronta. Se estão lá apenas para obedecer, impedidos de pensar e representar, de facto, os cidadãos que os elegeram, então qualquer indigente ou mentecapto faria o mesmo trabalho com igual eficácia.

Se a isto juntarmos todos os casos de aproveitamento do estatuto de deputado para usufruir dos mais variados tipos de benefícios indevidos temos uma triste imagem do regime que teimamos em designar como “democrático”. 

Aos deputados à Assembleia da República exige-se que sejam homens e mulheres livres, capazes de defender os interesses daqueles que neles votaram e desse modo os elegeram. Caso contrário não valem nada. Não valem nada.

Cidadão Silvares